Rebentar grupos em vez de trocar peças
A diferença face a um match-3 parece pequena e não é. Não se troca nada: toca-se num bloco que tenha pelo menos um vizinho da mesma cor e o grupo inteiro desaparece. Isto elimina a parte mais lenta do género — procurar a troca certa — e deixa só a parte rápida, que é ler onde está a maior mancha de cor.
O polegar trabalha de outra maneira. Num match-3 há arrasto, aqui há toque seco, e por isso as sessões ficam mais curtas e mais frequentes. É o único título desta seleção que se joga confortavelmente durante uma paragem de semáforo.
Como o tabuleiro responde às cadeias
A melhor parte é o colapso. Quando se rebenta um grupo grande na base, as colunas caem, encostam-se e formam novos grupos que rebentam sozinhos, e o tabuleiro passa três ou quatro segundos a reorganizar-se sem intervenção. Há uma satisfação física nesse momento que o jogo percebeu bem e não estraga com animações lentas.
A contrapartida é que a cadeia retira controlo: em níveis com objetivo apertado, uma cadeia grande pode destruir justamente a cor que era precisa guardar. Isso acontece o suficiente para ser estratégia, mas não há forma de a prever com rigor.
Sessões de dois minutos
Os níveis são curtos por desenho. Um nível normal resolve-se em menos de três minutos, e a passagem para o seguinte é quase imediata. Para quem só quer preencher intervalos, é o formato ideal de todo o catálogo deste site.
O problema aparece ao fim de uma semana. Como não há objetivos que mudem a estratégia, os níveis começam a distinguir-se apenas pelo número de blocos, e a sessão passa a ser um gesto e não uma decisão.
Limites do desenho visual
As cores são vivas e distinguem-se bem, mas são demasiadas para o tamanho dos blocos em ecrãs pequenos, e o tema de templo praticamente desaparece assim que o nível começa: fica uma moldura de pedra à volta de um tabuleiro que podia estar em qualquer cenário.
Fica também a faltar um modo sem limite de jogadas. Um puzzle de colapso é, por natureza, um bom candidato a modo livre, e a ausência dele é a decisão mais estranha deste título.
Vale a pena ao lado dos outros puzzles
Vale como complemento, não como escolha única. Instalado ao lado do labirinto de escavação do mesmo percurso, cobre exactamente o que esse não cobre: sessões de um minuto sem pensar. Sozinho, esgota-se antes do fim do mês.
O que pesa de cada lado
A FAVOR
- Toque único: a mecânica percebe-se sem tutorial nenhum
- Colapsos em cadeia com ritmo bem calibrado, sem animações arrastadas
- Níveis curtos, ideais para intervalos de um ou dois minutos
CONTRA
- Repetitivo ao fim de alguns dias: os níveis distinguem-se pelo tamanho
- O tema de templo desaparece assim que o tabuleiro abre
- Não existe modo livre, que seria natural neste tipo de puzzle
7,0 Nota editorial numa escala de dez, atribuída segundo os cinco eixos de leitura deste site. A classificação de 4,4 em estrelas pertence à ficha pública na Google Play.